Se você já se aventurou pelo mundo da eletrônica ou está curioso sobre projetos de IoT, provavelmente já ouviu falar desses dois chips que viraram queridinhos de quem gosta de colocar a mão na massa. Criados pela Espressif Systems, eles são famosos justamente porque facilitam a vida de quem quer conectar coisas à internet sem gastar muito.
O primeiro desses chips chegou lá em 2014 e já começou a bagunçar o mercado, trazendo Wi-Fi integrado por um preço bem camarada. Na época, muita gente usava Arduino, mas sempre precisava de um monte de peça extra só pra conectar na internet. Esse chip mudou tudo, já entregando Wi-Fi de fábrica.
Dois anos depois, veio a atualização. A nova versão trouxe processador mais rápido, Bluetooth integrado e ficou ainda mais interessante pra quem queria fazer projetos mais complexos, tipo automação mais avançada ou dispositivos vestíveis.
O legal é que os dois funcionam muito bem com o Arduino IDE, então dá pra programar sem grandes dores de cabeça, mesmo se você estiver começando. O chip mais antigo continua ótimo pra tarefas simples, enquanto o novo manda bem quando o projeto pede mais segurança ou economia de energia.
No fim das contas, a escolha entre eles depende do que você precisa, quanto quer gastar e quais recursos o seu projeto pede. Bora dar uma olhada nos detalhes, nos usos mais comuns e entender qual deles faz mais sentido pra você.
Como tudo começou: a revolução dos módulos ESP
A conectividade sem fio mudou o cenário da eletrônica e, lá em 2013, a Espressif Systems apareceu na China com uma proposta ousada: criar chips acessíveis pra qualquer um usar em projetos inteligentes. O resultado foi um salto enorme na prototipagem, já que antes só dava pra brincar com internet em equipamentos mais caros.
Quando esses primeiros módulos ESP começaram a ser vendidos, eles se destacaram por três coisas básicas:
- Wi-Fi embutido e sem custo extra
- Compatíveis com plataformas populares, como Arduino IDE
- Preço até 70% menor que outras opções
Isso abriu portas para muita gente começar a criar dispositivos inteligentes mesmo com pouca grana. Antes, quem queria conectar um Arduino à internet precisava adicionar placas e módulos extras, o que aumentava o custo. Com o ESP, era só ligar e programar.
Aqui no Brasil, a galera abraçou rapidinho. Não demorou pra surgir uma enxurrada de grupos, tutoriais e códigos prontos pra projetos como:
- Sistemas de irrigação automática (imagine não precisar mais se preocupar em regar as plantas todo dia!)
- Controle remoto de luzes pela internet
- Monitoramento de energia residencial direto no celular
Esse movimento criou um ecossistema forte, cheio de dicas, bibliotecas e soluções prontas. Mas pra escolher qual versão usar, é importante entender o que cada uma entrega de diferente. Vamos nessa.
Esp8266 vs esp32: qual escolher
Pra decidir entre esses dois, o primeiro passo é olhar pras diferenças técnicas. O ESP32, mais recente, tem processador dual core que roda até três vezes mais rápido que o single core do modelo antigo. Isso faz diferença quando o projeto precisa fazer várias coisas ao mesmo tempo, tipo coletar dados e enviar pra internet sem travar.
Outra diferença boa é o Bluetooth integrado do ESP32. Ele deixa tudo mais flexível: dá pra criar redes mesh ou conectar acessórios sem fio, ampliando o leque principalmente pra quem monta automação ou dispositivos vestíveis.
Aqui tem três pontos importantes pra comparar:
- Memória RAM: O ESP32 tem 520KB, bem mais que os 80KB do antigo
- Sensores internos: O ESP32 já vem com sensor de temperatura e touch capacitivo
- Consumo de energia: O clock de 240MHz do ESP32 consome 20% mais energia que os 80MHz do anterior
Se o seu projeto é algo simples, tipo monitorar temperatura ou acender luz de longe, o modelo antigo já resolve e ainda economiza dinheiro. Agora, se precisa de segurança, mais poder de processamento ou quer rodar várias tarefas ao mesmo tempo, o ESP32 é a escolha.
Ah, e a programação pelo Arduino IDE continua praticamente igual nos dois. Dá até pra começar num modelo mais barato e migrar pro avançado se precisar de mais recursos depois.
Diferenças Técnicas e Recursos
O que muda mesmo entre esses dois está na arquitetura interna. O ESP32 tem processador dual-core de 32 bits, então consegue lidar com várias tarefas ao mesmo tempo. O modelo antigo é single-core, também 32 bits, mas bem mais limitado em velocidade: são 240MHz no ESP32 contra só 80MHz no outro.
Na hora de conectar sensores e periféricos, o ESP32 sai na frente de novo: tem 39 pinos GPIO, enquanto o antigo só oferece 17. Isso faz diferença quando o projeto começa a ficar mais cheio de acessórios.
Olha só outros destaques:
- Wi-Fi mais rápido: até 150Mbps no ESP32, contra 54Mbps
- Bluetooth 4.2 e Ethernet só no ESP32
- 4 interfaces SPI pra comunicação serial veloz
O ESP32 também traz sensores internos que o antigo não tem, como medidor de temperatura, sensor magnético Hall e até 10 áreas pra touch capacitivo. Dá pra imaginar projetos interativos bem legais com essas funções.
Na parte de segurança, o ESP32 também leva vantagem, incluindo criptografia AES-256 e algoritmos SHA-2. Sobre o consumo, usar o clock mais baixo (80MHz) ajuda a economizar energia se não precisar de tanta potência.
Cenários e Aplicações em Projetos
Quando a ideia é montar um projeto de IoT, vale pensar o que realmente precisa. Pra soluções mais básicas, o ESP8266 (modelo antigo) é ótimo: serve pra automação residencial, acender lâmpadas por Wi-Fi, ler sensores de temperatura ou montar sistemas de irrigação simples. Ele cobre a maioria das necessidades caseiras e ainda ajuda a não extrapolar o orçamento.
Se o projeto é mais puxado, aí o ESP32 brilha. Dá conta de sistemas de segurança com vários sensores ao mesmo tempo, permite ligar câmeras pra monitoramento sem fio e lojas usam pra mapear clientes com triangulação Wi-Fi. É um chip pronto pra uso profissional.
Na indústria, alguns exemplos são:
- Controle remoto de máquinas usando Bluetooth e Wi-Fi juntos
- Redes de sensores espalhados pela fábrica
- Coleta de dados em tempo real com criptografia reforçada
Existem ainda módulos especializados. Os bem pequenos servem pra dispositivos médicos vestíveis, enquanto os com LoRa conseguem se comunicar por até 4km nas cidades. Pra vigilância, tem versões com display que processam imagens no próprio chip e aliviam o tráfego na rede.
Na robótica educacional, a escolha depende do desafio. Pra projetos simples, o modelo econômico resolve fácil. Já pra competições ou experimentos mais avançados, o ESP32 faz diferença com suporte a motores de passo e até visão computacional.
Vantagens e Desvantagens de Cada Módulo
No fim das contas, tudo gira em torno do equilíbrio entre preço e desempenho. O ESP32 é ótimo pra quem quer projetos mais complexos, com processador dual-core de até 240MHz, rodando algoritmos de inteligência artificial ou processamento de áudio ao mesmo tempo. Ele também permite usar câmera e sensores touch, ampliando as possibilidades pra segurança e interfaces modernas.
O ponto negativo é que ele consome mais energia, cerca de 35% a mais quando está em uso pesado. Apesar de funcionar bem com Arduino IDE, às vezes é preciso usar placas adaptadoras pra conectar certos acessórios. E como tem mais recursos, custa cerca de 40% a mais que o modelo anterior.
O ESP8266 ainda é super útil pra automação básica ou projetos que não exigem tanto. Ele funciona bem pra ligar luzes via Wi-Fi ou coletar dados de sensores simples, mas a memória limitada impede que rode multitarefas mais avançadas.
Pra quem está começando, esse chip mais acessível é um ótimo ponto de partida pra mergulhar no mundo da IoT. Tem muito conteúdo, tutorial e gente disposta a ajudar nos fóruns. Mas, se o projeto crescer, provavelmente vai ser preciso trocar de módulo pra aproveitar recursos como redes mesh ou interfaces de áudio nativas.
Fonte: https://jornalbahia.com.br/
